A manhã seguinte

Não me sinto bem. Me pergunto como é a cara dela, o nome. Me pergunto por quanto tempo eles saíram. Bastante, eu acho. Me vejo pálida, toda desgrenhada no espelho.

Bem, seja lá quem você for, estou aqui agora. Você pode ser o passado dele, mas eu sou o futuro.

Sorrio para mim. Meu reflexo me responde com uma careta.

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Sexo

ew

Pra mim, sexo deveria ser como matemática. Tipo assim:
Na escola.
Ninguém liga de um ser um zero à esquerda em matemática.Chegam até a espalhar isso pra todo mundo. Saem dizendo: “Pois é, eu não esquento com ciências nem com inglês, mas sou um merda em matemática.” E os outros riem e dizem: “Pois é, eu também. Não faço a menor idéia do que seja esse lance de logaritmo.”
Seria bom se a gente pudesse dizer a mesma coisa sobre sexo.
Seria bacana se pudéssemos dizer com orgulho: “Pois é, não faço a menos idéia do que seja esse lance de orgasmo. Sou bom em quase tudo, mas, quando chega nessa parte, eu bóio completamente.”
Só que ninguém abre a boca pra dizer isso.
Não dá.

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Você está

Em todo lugar que eu não vou
Em toda noite que não durmo
Em todo plano que não concluo
Com todo mundo que não conheço
Em toda ligação que não atendo
Em cada mensagem que não envio
Em cada cama que não me deito
Em cada sobremesa que não como
Em todo tempo que não faço
Em toda hora que não estou calmo
Em toda sala sem barulho
Em todo abraço que não recebo
Em toda vez que eu desisto
Em todas as roupas que eu compro
Em todas alternativas que não escrevo.

[O incrível blog de PC Siqueira]

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– Why this cruelty? You know I love him.

– Well, perhaps you should stop.

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Você se cansa.

Um belo dia você acorda com uma dor no pescoço. Uma dor nas costas. Seus olhos ardem. Seus músculos ardem. Você tem dificuldades para se lembrar das coisas, você tem dificuldades para acordar. Você tem dificuldades para dormir, para engordar, ou emagrecer, dificuldades em chegar de um ponto ao outro, dificuldades em chegar ao ponto, você perde o ponto, perde tempo. ganha rugas.
Os dias passam, você respira fumaça, bebe água contaminada. Queima a pele do seu rosto pelos raios catódicos do monitor, acende um cigarro, se pergunta até que idade você vai sobreviver.
Pensa em se mudar para o interior. Pensa em parar de fumar. Pensa em comprar roupas novas. Pensa em matar alguém.
Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado.
Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Você se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, se cansa de não ter para onde ir e precisar ir para algum lugar.
Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver sua vida igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor.
Você se cansa de não saber exatamente do que está cansado. Se cansa do “alguma coisa está errada” que paira sobre o ar desde uma época que você não se lembra.
Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas.
Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do “apesar de”.
Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do “a vida é assim mesmo”. Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.
Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.
E você não para, até que esteja morto.

[O incrível blog de PC Siqueira]

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Eu diferencio muito bem as pessoas.
Escolho meus amigos pela boa aparência, meus conhecidos, pelo caráter e meus inimigos, pela inteligência.
Não ando com nenhum imbecil.
Todos são homens de alguma força intelectual e, consequentemente, todos gostam de mim. Isso me faz vão?
Eu acho que é pura vaidade.

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insociabilidade

É quase inevitável que indivíduos independentes tornem-se insociáveis. Não precisam da sociedade e são muito gratos por isso. Todos os dias percebem como têm sorte por viverem sozinhos, e não em companhia de indivíduos vulgares, de caráter perverso e inteligência obtusa. Quando os demais não vêem em nós qualquer utilidade, quando não conseguem encontrar um modo de nos explorar em seu benefício, nos chamam de insociáveis como se isso fosse um insulto. Na verdade, é o maior elogio que poderíamos esperar receber; ser inútil a indivíduos baixos, vulgares e ignorantes é algo que nos honra profundamente; é quase uma prova de que estamos no caminho certo.

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