Desejo e Reparação

Todo mundo tem em sua consciência um erro cometido do qual se arrepende muito e julga imperdoável. Bom, pelo menos eu tenho o meu. O de Brioni Tallis aconteceu no início da adolescência e teve proporções catastróficas nas vidas de pessoas que ela amava: sua irmã Cecilia e Robbie Turner, filho de uma de suas empregadas. Resumindo em poucas palavras, esta é a idéia central de Desejo e Reparação (Atonement, 2007), adaptação do romance escrito por Ian McEwan.

O filme conta a história de Briony Tallis, filha mais nova de uma família aristocrata britânica cujo hobby é escrever. Com uma imaginação fértil, Briony, aos 13 anos, acusa Robbie Turner, filho da governanta e pretendente amoroso de sua irmã Cecília, de um crime que ele não cometeu. A acusação destrói o recém-descoberto amor de Robbie e Cecilia e altera dramaticamente o curso da vida de todos.

O longa mostra a jornada de Briony, anos mais tarde, na tentativa de reparar o erro. Ao mesmo tempo acompanhamos as trajetórias de Robbie, lutando na França pela Segunda Guerra Mundial, e Briony, trabalhando como enfermeira na Inglaterra.
Mas a imaginação fértil de Briony não é responsável sozinha por toda a tragédia presente na produção. A sociedade de classes da Inglaterra dos anos 40 também tem sua parte de culpa. Por estar num patamar social inferior, a palavra de Robbie vale menos do que a de uma garotinha, e isso o roteiro de Christopher Hampton deixa muito claro.

O que cativa em Desejo e Reparação é o caráter incomum da temporalidade na história. O cerne da trama é o que se passa naquele primeiro dia de 1935. Tudo o mais são conseqüências esparsas daquele dia, de forma que só é dada ao espectador a noção de tempo pelos saltos de anos que são indicados pelas falas dos personagens e por acontecimentos como a Segunda Guerra Mundial – esta, aliás, retratada de forma chocante com as cenas dos hospitais.

1 Resposta até o momento »

  1. 1

    Fernanda P. disse,

    Bela resenha. Fiquei curiosa pra saber o final.


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