Arquivo para dezembro 8, 2011

[In] Felicidade

A felicidade de nossas vidas é sustentada por uma ótica constantemente falsa. Sonhamos com o futuro e dizemos: ah!, como serei feliz…; olhamos para trás e suspiramos: ah!, como fui feliz…; agora, lamentamos: ah!, como sou desgraçado… No presente, somos seres infelizes rodeados de felicidades distantes, mas perto das quais o sofrimento atual parece desprezível. O presente é uma ilha de infelicidade rodeada por um mar de alegria. O fato, entretanto, é que nunca mergulharemos nesse mar, pois ele é uma ilusão que inventamos para tentar justificar nossa miséria. Mesmo assim, nunca nos deixaremos desiludir. Somos infelizes absolutamente convictos de que a felicidade existe — esteja ela onde estiver, está à nossa espera, pois sua mão nos foi prometida durante a infância. Não importa que nesse particular nossas vidas resumam-se uma série de decepções: nunca admitimos que tudo é areia, nunca admitimos que fomos enganados. Podemos estar certos de que, se a felicidade fosse uma pessoa, ela estaria presa, mas isso não nos prova nada. A felicidade nos sorri como uma miragem, e nós acreditamos que, dessa vez pode, ser real.

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