Amigos

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Observo, com freqüência, que tendemos a atribuir a nossos amigos aquela estabilidade de caráter que as personagens literárias adquirem na mente do leitor. Qualquer que seja a evolução desta ou daquela personagem entre as capas do livro, seu destino está cristalizado em nossas mentes e, da mesma forma, esperamos que nossos amigos sigam esta ou aquela trajetória lógica e convencional que traçamos para eles. Assim, X jamais comporá a música imortal que conflitaria com as sinfonias de segunda classe a que nos habituou. Y jamais cometerá um assassinato. Aconteça o que acontecer, Z nunca nos trairá. Temos tudo bem arranjado em nossas mentes e, quando mais raramente vemos determinada pessoa, maior é o nosso prazer ao verifica, quando ouvimos falar dela, como se vem adaptando obedientemente ao padrão de comportamento que lhe impusemos. Qualquer desvio nos destinos que decretamos nos ofenderia como algo não apenas anômalo, mas imoral.

2 Respostas so far »

  1. 1

    Trise Cris said,

    Baêêê!

    É o mesmo erro que, as vezes, cometemos com o namorado(a). O grande problema é idealizar as pessoas, criar expectativas demais, e achar que conhecemos todos que nos cercam como conhecemos a palma da nossa mão.

    Mas…são coisas da vida…

  2. 2

    Nyele Hendrick said,

    Sim, exatamente o que você disse: criar demais expectativas.


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