Depoimento de um preso.

“Está bem, é o seguinte. Você acorda de manhã, assiste á TV e entra no carro e escuta o rádio. Vai pro seu empreguinho ou pra sua escolhinha, mas não vai ouvir falar daquilo no noticiário das seis, porque, adivinhe: Não há mesmo nada acontecendo. Você lê o jornal, ou então, quando é ligado nesse tipo de coisa, um livro, que dá na mesma que ficar assistindo, só que é ainda mais chato. Você assiste á televisão toda noite, ou então sai pra assistir a um filme, e pode ser que receba um telefonema e possa contar aos seus amigos o que você viu. E, sabe, a coisa tá tão ruim que eu comecei a notar que as pessoas na TV, sabe? Dentro da TV? Metade do tempo, elas estão vendo televisão.  Ou então, quando você vê um romance num filme. Que é que eles fazem, senão ir ao cinema? Todas essas pessoas, o que elas estão vendo?

Gente como eu. Elas querem ver as coisas acontecerem e eu fiz um estudo disso: boa parte da definição de uma coisa que acontece é ela ser ruim. Pelo que vejo, o mundo está dividido entre os que vêem e os que são vistos, e há cada vez mais platéia e cada vez menos o que ver. As pessoas que realmente fazem alguma coisa são uma merda de uma espécie em extinção.

Vocês precisam de nós. O que vocês fariam se nós: filmariam um documentário ou um filme sobre a secagem de tintas? Que é que todos esses caras estão fazendo senão assistir a mim? Não acha que eles já teriam mudado de canal, se eu só tivesse tirado um A em geometria? Sanguessugas! Nós fazemos o trabalho sujo para eles!”

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