Joshua, O Filho do Mal

Joshua é um personagem cliché. Ele é quieto, inexpressivo e reúne características de um psicopata em formação: extremamente inteligente, carece de empatia e é hábil em mentir/manipular. Quando fala, na maioria das vezes é para fazer uma pergunta ou observação constrangedora. O protótipo se desgastou no cinema, mas, no caso em questão, perturba porque é inquietantemente inexplicável: o menino não é o filho da Besta nem a personificação de um espírito ruim. Ele apenas é assim.

E o pior: no final das contas, Joshua acaba sendo muito mais inofensivo do que por exemplo o cruel personagem de Macauley Culkin em “O Anjo Malvado”, que matou um cachorro com um prego, afogou o irmãozinho na banheira, tentou afogar a irmã num lago congelado e atirou a mãe de um precipício. É claro que o Joshua desse filme é muito mais verossímil do que qualquer outro, já que vai tendo seu comportamente piorado a cada novo dia. Como todo sociopata, ele começa com um mórbido desejo em matar animais, e hamsters na escola e o cachorro da família.

Bradley e Abby Cairn acabam de ter seu segundo filho, a pequena Lily. Joshua, o filho de nove anos do casal parece aceitar muito bem a chegada da nova integrante da família. Estranhamente bem para uma criança que acaba de ganhar uma nova irmãzinha. Mas o comportamento de Joshua não é dos mais comuns, mas nisso nada tem a ver a chegada da irmã. Mas esse comportamento peculiar também não é despropositado. Ele é fruto de uma depressão pós-parto de Abby, fato que se estendeu até o presente momento, algo que pode ser observado pelo comportamento da mãe em relação a Joshua. Temendo ter uma nova depressão após o nascimento de Lily, Abby passa a se preocupar com os mínimos detalhes a fim de prever que isso aconteça novamente, mas tudo parece estar acontecendo para fazê-la perder a cabeça. E Joshua vai se mostrando muito mais obscuro e muito mais esperto do que qualquer poderia imaginar, à medida que acontecimentos estranhos passam a acontecer na casa dos Cairn.

“Esse filme é um controle de natalidade fundamental”, aponta o crítico Brandon Fibbs. “Se você planeja ter filhos um dia, não o veja. Se já tem, você nunca vai olhar para eles da mesma forma de novo.”

“Joshua – O Filho do Mal” é muito mais sutil do que qualquer marketing o vende. O seu lento desenrolar pode deixar o espectador mais impaciente afobado, mas é tudo em prol de um desenvolvimento tridimensional dos personagens.

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