Diferente

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Mas, espera, ninguém me falou que seria assim. Tá certo que também ninguém me disse que seria de outro jeito, mas, assim? Assim não. Sei lá, só esperava que fosse diferente. Diferente, ué, diferente. Mas não assim. Nem sei mais se dá para fazer de outro jeito. Talvez as coisas sejam assim mesmo. Talvez elas sempre tenham sido assim, eu é que achei que fossem diferentes. Achei, assim, da minha cabeça mesmo, que ninguém me falou nada. Ninguém nunca me fala nada. Ninguém nunca me fala nada desde aquela vez em que cheguei em casa e o cachorro tinha morrido. E ninguém tinha me dito nada. E eu com saudade do cachorro. Uma saudade que ainda tenho, porque morreu o cachorro e eu não matei a saudade. Também não matei o cachorro (pelo menos ninguém me disse nada sobre isso). Morreu, e foi só. Não sei por quê. Por que morreu, por que não falaram, por que as coisas seriam diferentes? Achava que fossem. Ninguém me disse que seria assim. Também ninguém me disse que seria diferente, isso é verdade. Tudo da minha cabeça, que ninguém me falou nada que seria assim. A mesmice de imaginar tudo tão diferente. A mesmice de imaginar sempre o mesmo e viver tudo tão diferente. Tudo é sempre tão diferente que eu já deveria estar acostumada.

Fonte:Volumetria

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