Briga

Eu poderia ignorá-lo. Mas eu sabia que todo mundo estava olhando e pensando. Eu tenho que mostrar que eu não sou mole.
Ele pára logo depois de cruzar a porta.
– O que é?
Luto para escolher entre “Aonde você está indo” ou “Aonde é que você pensa que vai?” A primeira frase poderia soar como uma simples pergunta com um toque de autoridade. O “pensa” na segunda pergunta sugere um desafio e poderia causar encrenca. De todo jeito, é o tom de voz que importa. Eu recuo um pouco.
– Quem é que vai me deter de sair daqui? – soa quase amigável, autenticamente curioso, mas o que vem da turma é uma engolida em seco.
Puta que pariu, diz Ralphie Boyce.
Quero falar alguma coisa, mas não posso porque as palavras pulam dentro da minha cabeça são, Puta que pariu.
Jogo o giz para cima e o apanho de novo no ar. Ele está olhando. Dou um passo na direção dele. Não é o meu dia de morrer, mas a turma fica esperando e está na hora de responder a pergunta dele. Jogo o giz no ar, talvez pela ultima vez na vida, e lhe digo, Eu vou.
O sinal toca e todos da sala saem.
Nós dois saímos também.
Qual é a graça de uma briga se não tem ninguém olhando para ver como você é mau?

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