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História.

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Olhando em retrospecto, talvez eu ter dito que queria mais “história” fosse uma forma de aludir ao fato de eu querer mais alguém para amar. Nós nunca dissemos essas coisas um ao outro; éramos tímidos demais. E eu ficava nervosa só de pensar que algum dia você pudesse imaginar que não era suficiente para mim. Na verdade, agora que nos separamos, eu gostaria de ter superado a minha própria timidez e ter-lhe dito mais vezes que me apaixonar por você foi a coisa mais espantosa que já me aconteceu na vida. Não só o me apaixonar, essa parte banal e finita, mas o estar apaixonada. Nos dias que passávamos separados, em cada um deles, eu o recriava na minha imaginação. Escutava você me chamando de algum canto, muitas vezes num tom irascível, grosseiro, exigente, mandando segui-lo porque eu era sua, como se eu fosse um cachorro. Mas eu era sua, não me ressentia com aquilo e queria que você exigisse.
Nunca, jamais deixe de lhe dar valor. Foi você que começou – feito alguém que nos dá de presente um único elefante esculpido em ébano e, de repente, a gente encasqueta que seria divertido começar uma coleção.

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Joshua, O Filho do Mal

Joshua é um personagem cliché. Ele é quieto, inexpressivo e reúne características de um psicopata em formação: extremamente inteligente, carece de empatia e é hábil em mentir/manipular. Quando fala, na maioria das vezes é para fazer uma pergunta ou observação constrangedora. O protótipo se desgastou no cinema, mas, no caso em questão, perturba porque é inquietantemente inexplicável: o menino não é o filho da Besta nem a personificação de um espírito ruim. Ele apenas é assim.

E o pior: no final das contas, Joshua acaba sendo muito mais inofensivo do que por exemplo o cruel personagem de Macauley Culkin em “O Anjo Malvado”, que matou um cachorro com um prego, afogou o irmãozinho na banheira, tentou afogar a irmã num lago congelado e atirou a mãe de um precipício. É claro que o Joshua desse filme é muito mais verossímil do que qualquer outro, já que vai tendo seu comportamente piorado a cada novo dia. Como todo sociopata, ele começa com um mórbido desejo em matar animais, e hamsters na escola e o cachorro da família.

Bradley e Abby Cairn acabam de ter seu segundo filho, a pequena Lily. Joshua, o filho de nove anos do casal parece aceitar muito bem a chegada da nova integrante da família. Estranhamente bem para uma criança que acaba de ganhar uma nova irmãzinha. Mas o comportamento de Joshua não é dos mais comuns, mas nisso nada tem a ver a chegada da irmã. Mas esse comportamento peculiar também não é despropositado. Ele é fruto de uma depressão pós-parto de Abby, fato que se estendeu até o presente momento, algo que pode ser observado pelo comportamento da mãe em relação a Joshua. Temendo ter uma nova depressão após o nascimento de Lily, Abby passa a se preocupar com os mínimos detalhes a fim de prever que isso aconteça novamente, mas tudo parece estar acontecendo para fazê-la perder a cabeça. E Joshua vai se mostrando muito mais obscuro e muito mais esperto do que qualquer poderia imaginar, à medida que acontecimentos estranhos passam a acontecer na casa dos Cairn.

“Esse filme é um controle de natalidade fundamental”, aponta o crítico Brandon Fibbs. “Se você planeja ter filhos um dia, não o veja. Se já tem, você nunca vai olhar para eles da mesma forma de novo.”

“Joshua – O Filho do Mal” é muito mais sutil do que qualquer marketing o vende. O seu lento desenrolar pode deixar o espectador mais impaciente afobado, mas é tudo em prol de um desenvolvimento tridimensional dos personagens.

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