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Ódio e Amor.

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– O òdio dá muito trabalho por aqui; mas mais, o amor.Então, amor brigão! Ò ódio amoroso! Ès tudo, sim; do nada foste criado desde o princípio. Leviandade grave, vaidade séria, caos imano e informe de belas aparências, chumbo leve, fumaça luminosa, chama fria, saúde doente, sono sempre esperto, que não é nunca o que é. Eis aí o amor que eu sinto e que me causa apenas dor. Não queres rir?
– Não, quero chorar.
– Por quê?
– Por ver que tens opresso o coração.
– Do amor é sempre assim a transgressão. As dores próprias pesam-me no peito; mas agora redobras-lhes o efeito com mostrares as tuas; o tormento que revelaste, ao meu deu mais alento. O amor é dos suspiros a fumaça; puro, é fogo que os olhos ameaça; revolto, um mar de lágrimas de amantes…. Que mais será? Loucura temperada, fel ingrato, doçura refinada.

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Dor.

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Era como se…

…Cada palavra de amor sussurrada…

…Escorresse pelas costas dele e fosse absorvida.

As costas dele eram largas.

Dava pra sentir o calor e o cheiro de sua pele através da gola de sua camisa.

Aquela era a primeira, e talvez a última vez;

Mas

Senti uma espécie de nostalgia.
Uma dor.

Era doce, mas parecia rasgar o meu peito…

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“Submedo”

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Até o dia 25 de Novembro de 2008, eu me iludia com a idéia de ser uma pessoa excepcional. Mas,desde que você me deixou,estou convencida de que somos todos providos de uma profunda normalidade. Temos expectativas muito definidas sobre nós mesmos em determinadas situações – para além das expectativas, são exigências. Algumas são de pouca importância: se alguém nos fizer uma festa surpresa, ficaremos maravilhados. Outras são consideráveis: se o pai ou a mãe morre, nos sentimos muito mal. Mas, talvez junto com essas expectativas haja o medo secreto de que acabaremos desapontando as convenções, na hora do vamos-ver. Que, ao recebermos aquele telefonema fatal avisando que nossa mãe está morta, não sentiremos nada. Pergunto-me se esse pequeno medo calado, inexprimível, é ainda mais agudo que o medo da má noticia em si: de que vamos nos descobrir uns monstros. Confesso que, durante o tempo que ficamos juntos, sempre tive um grande medo de que,se algo lhe acontecesse, eu desmoronaria. Mas havia sempre uma sombra esquisita por perto, um submedo, se preferir, de que não fosse assim – que eu ficaria em casa feliz da vida jogando Perfect World.
O fato desse submedo nunca levar a melhor é fruto de uma fé grosseira. È preciso acreditar que, se for acontecer o impensável, o desespero desabara por conta própria; que a dor, por exemplo, não é uma experiência que precise ser convocada, nem uma habilidade que requeira pratica.
Por isso, até mesmo uma tragédia pode ser acompanhada por vestígios de alivio. Descobrir que uma amargura é de fato arrasadora nos serve de consolo, reafirma a nossa humanidade (se bem que, tendo em vista o que as pessoas aprontam eis aí uma palavra estranha para pormos ao lado da compaixão, ou até mesmo da competência emocional).

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