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Angústia

Nunca sofri angústia maior. Gostaria de descrever seu rosto, seu jeito… mas não posso, meu desejo por ele é tamanho que me cega quando ele está por perto. Se fecho os olhos, tudo o que vejo é uma fração imobilizado dele, um instantâneo pinçado de um filme cinematográfico. Só consigo descrever seus traços empregando os termos mais banais: poderia dizer que seus cabelos eram castanhos e seus lábios vermelhos…
O espiritual e o físico haviam se fundido em nós com uma perfeição que jamais poderá ser compreendida pelos insípidos jovens de hoje, com seus modos grosseiros e mentes padronizadas. Muito tempo depois que ele se foi, eu ainda sentia seus pensamentos flutuando através dos meus. Muito antes de que nos encontrássemos, havíamos sonhado os mesmos sonhos.

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“Quando todos os nossos desejos forem realizados, muitos de seus sonhos serão destruídos.”

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“- Por que não vai a Meca agora? – perguntou o rapaz.
– Porque Meca é o que me mantém vivo. È o que me faz agüentar todos estes dias iguais, estes vasos calados nas prateleiras, o almoço e o jantar naquele restaurante horrível. Tenho medo de realizar meu sonho, e depois não ter mais motivo para continuar vivo. Você sonha com ovelhas e pirâmides. È diferente de mim, porque deseja realizar seus sonhos. Eu quero apenas sonhar com Meca. Já imaginei milhares de vezes a travessia do deserto, minha chegada na praça onde está a Pedra Sagrada, as sete voltas que devo dar em torno dela antes de tocá-la. Já imaginei quais pessoas estarão do meu lado, na minha frente, e as conversas e orações que compartilharemos juntos. Mas tenho medo que seja uma grande decepção, então prefiro apenas sonhar.”

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Desistir.

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Confesso que nunca li tanto como tenho lido ultimamente, preciso disso.
Ler expande a mente, o saber não ocupa espaço….
Achei isto aqui bem interessante:

“És como a minha sombra. Quanto mais fujo, mais corres atrás de mim. Quanto mais te tentava agarrar, mais tu conseguias escapar. Outrora já fomos só um, ainda sinto a fragancia de verdadeiro amor vindo de nós. Hoje, só não quero sentir o teu odor, tresandas de traições. Ainda sinto as feridas abertas, de todas as tuas facas em que me deitei desde aquele dia. Verdade e realidade que me tentas distorcer.
Cada vez que penso em tudo, compreendo que as feridas saradas tornam-me cada vez maiores, e menos sensível à dor. Hoje, acredito que foi positivo. Estou cansado de correr. Desisto.”

Aí fico pensando…quantas vezes você me disse realmente o que estava pensando?
Tenho visto muita coisa ultimamente, quero dizer, já via antes, mas agora, muito mais. Tenho visto homens enfiados nas igrejas nos dias de culto, acompanhando suas esposas (e filhos, se tiverem), levantando suas mãos, orando, sendo tão politicamente corretos e religiosamente hipócritas e durante a semana, os pés correm em diversos caminhos de adultério, sem nenhum remorso ou culpa, afinal, a mente já cauterizou e o coração não condena mais…não há mais a condição de “pecado”, enfim,  obrigaram-me a experimentar isso.
E senti a morte.
Morte dos sonhos.
Morte da esperança.
Morte moral.

Ser traido é tão intenso, que nos faz perder o norte. Perdemos todos os referenciais… tudo perde o sentido… a coisa chega a tão ponto, que quase chegamos a desmaiar.

Ainda dentro do contexto da traição… Ela é mais intensa ainda, quando sabemos que ela foi premeditada… foi avaliada, calculada, pesada e então a faca foi cuidosamente enterrada entre suas vertebras de forma a matar e não nos deixar gritar.

Fico me perguntando o porque as pessoas traem… Como que um ser humano pode planejar a traição de alguém que lhe quer bem? Alguém que está ao seu lado? Alguém com que se viveu e quem sabe, poderá viver BONS momentos?

Sem sentido? Não existe? Só se vê em novelas ou filmes?

Que nada… já fui esfaqueado de diversas formas e intensidades pelo menos uma dezena de vezes. Na sua maioria, todos foram planejados, avaliados, pesados e até calculados.

O que é permitido ao traído nesta ocasião?

Matar o traidor?
Pagar com a mesma moeda?
Planejar uma vingança maligna?
Reclamar?
Escrever no seu Blog?
Um tiro na cabeça?

Adoraria que alguém me respondesse.

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Assassinato.

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Aliás, se alguma vez eu cometer um assassinato para valer – prestem atenção no “se” – , o impulso terá de vir de algo bem mais forte do que aquilo que se passou entre mim e ele. Notem também, cuidadosamente, que naquela época eu era bastante inepta. Se e quando vocês decidirem me fritar na cadeira elétrica, lembrem-se de que somente um acesso de loucura poderia fornecer-me a energia necessária para que eu agisse com violência. Às vezes tento matar alguém, em sonhos. Mas sabem o que acontece? Por exemplo, estou empunhando um revólver e mantendo sob minha mira um inimigo impassível, que acompanha com sereno interesse o que está acontecendo. Ah, não hesito em apertar o gatilho, mas, do cano acabrunhado de minha arma, uma bala após a outra cai debilmente ao chão. Nesses sonhos, só penso em ocultar o vexame de meu desafeto, que aos poucos vai ficando entediado com o troço todo.

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